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SER humano no trajeto

Cidade ou hospício?o artigo publicado pela revista Carta Capital em maio deste ano retrata a realidade do deslocamento em São Paulo, a violência, o ruído e a poluição a que o paulistano é exposto ao enfrentar de duas a quatro horas de trânsito por dia.

Assustador. São 11 milhões de habitantes em uma cidade gigantesca, com péssima distribuição da população e de trabalho, mais de 7 milhões de veículos, rádios dedicadas exclusivamente ao trânsito, transporte público insuficiente para a necessidade de circulação da população. Ou seja, a os instrumentos de política urbana são incapazes de garantir qualidade de vida para o cidadão.

Os efeitos dessa loucura se confundem com as causas, efeitos reativos, ausência de saúde em sentido amplo, aumento da violência e de todo o tipo de poluição. Quem está no trajeto pode perceber o poder da onda de raiva que atormenta o cidadão e contagia.

Somos zumbis? Houve um tempo em que andar num ônibus da CMTC e olhar a cidade por cima dos carros sentindo o vento no rosto era gostoso… não é mais.

É preciso querer sair da onda de raiva, querer nadar contra essa maré de insanidade e inventar você mesmo um sentido diferente, um método próprio capaz de distinguir e conter o ciclo dos efeitos reativos.

Somos humanos que com tamanha violência não nos reconhecemos mais.

Mafalda (Quino)

E para nos reconhecermos, nasceu a idéia…

O exercício de deslocamento – SER humano no trajeto – foi idealizado para encorajar e manter dentro de si mesmo o aspecto humano durante o trajeto, enxergando na multidão cada pessoa como se fosse a si mesmo.

Como atividade de atenção, auxilia a manter o foco no presente, sem desviar a atenção incessantemente para o passado e o futuro, quando estamos a caminho de algum lugar. Assim fica mais fácil enxergar as pessoas no caminho e interagir com elas, ao invés de vermos o outro apenas como barreira.

Quantas vezes, no caminho de casa ou do trabalho, estamos pensando em como seria… ou como será… (o famoso, “e se”). Essa ansiedade, no geral, não ajuda muito… pois quase sempre ela invade todo o “espaço” disponível e engole as possibilidades da pausa.

A atividade visa reforçar o caráter humano em condições adversas e para isso exercita o foco no presente, preservando os momentos de pausa.

Atenção e gentileza podem ser usadas tanto para quem se desloca de carro, quanto para quem vai à pé. Funciona assim: