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Desacelerando o olhar

Quando os dias estão cada vez mais curtos e os afazeres se multiplicam, é preciso ter atenção para valorizar e dar sentido às pequenas coisas que temos ao redor. São exatamente essas pequenas coisas, as mais capazes de fazer transformações importantes e sutis na qualidade de nosso dia a dia.

E se viajássemos no tempo para resgatar um hábito mais simples, como o de escrever uma carta a mão a um amigo distante?

Para esta proposta, o que mais importa é a forma, o como transmitimos uma mensagem. A textura da tinta no papel, o selo (sim, eles ainda existem e podem ser bem bonitos) e o carinho impresso em sua letra são incomparáveis, assim como a surpresa em receber uma carta que viajou longamente no tempo e no espaço e te encontrou distraído, por estar atarefado na correria cotidiana.

Leve a idéia adiante, mande notícias no envelope a um amigo essa semana.

Estamos falando a mesma língua?

Para uma comunicação eficaz, um diálogo, deve haver um mínimo de esforço de compreensão entre os sujeitos envolvidos, sem o qual não se pode decifrar corretamente as diferenças de linguagem, por exemplo.

Mas afinal de contas, por onde anda a disposição para assimilar ou se fazer entender?

Contra senso da aceleração das informações nos dias de hoje, o aumento das barreiras da comunicação, muitas vezes, é retrato da inabilidade de escuta ou da “automação do discurso”.

Essa falta de cuidado na relação entre os sujeitos é reproduzida em larga escala no cotidiano, podendo deixar para trás as possibilidades do bom conviver.  Escutar alguém, se colocar em seu lugar, trocar experiências… são pequenos gestos valiosos de ligação entre as pessoas.

Até que ponto, em nossas relações diárias, não reproduzimos esta mesma indiferença? Tomar consciência desta tendência é um ótimo antídoto.