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Por um Tempo Simples

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Fazer um programa nos feriados, fins de semana ou férias é quase religião para todos. Passar horas numa fila para comprar um ingresso de futebol ou cinema, frequentar o restaurante da moda, ficar num tremendo engarrafamento ou correr feito louco para ir a Carapicuíba da Serra ou a Paris são lazeres corriqueiros, que dependem apenas da conta bancária de cada um. E por quê? E para que, se não há descanso e muito menos prazer? Parece uma fuga insensata de si mesmo, uma necessidade enorme de não ouvir seu corpo e muito menos sua alma. Minha tendência é ficar pensando sobre esses assuntos, porque acho importantíssimo procurar caminhos alternativos. E uma das melhores opções é esta: a simplicidade. E o primeiro passo para ser simples é parar e começar a pensar. Dar-se um tempo para achar soluções” (Rosy L. Bornhausen, in As Ervas do Sítio)

A reflexão feita nos anos 80 por Rosy Bornhausen, na introdução de seu mágico livro “As Ervas do Sítio”, é – ao menos para mim – a cada dia mais inquietante.

Pato Fu – Sobre o Tempo

Boas Trocas…

Confesso, tenho preguiça de final de ano!

Toda a dinâmica que gira em torno das festas, trânsito, decoração de natal e luzes por toda a parte, turismo urbano caótico e mais a caça aos presentes… me dá vontade de fugir!  E muitas vezes é exatamente isso que eu faço, mas não adianta muito, não é mesmo?!

E me passa um daqueles pensamentos insistentes pela cabeça… Porque razão temos que passar por esse período do ano de forma tão sistemática? Afinal, qual é e aonde está o significado das “festas de fim de ano”?

Bom, esta é uma pergunta bastante pessoal, pois cada um pode dar às festas o significado que preferir… mas, particularmente, gostaria de imprimir a este momento de reunião um valor mais simples de confraternização familiar, “celebração do encontro”.

Alterando e resignificando os “rituais”, a troca de presentes poderia ser literalmente uma “troca” e não apenas de coisas que compramos para esta ocasião, mas de algo mais significativo… é tão bom quando podemos presentear alguém com significado, mesmo quando o “presente” seja uma experiência, um conhecimento, ou mesmo uma lembrança que tenha valor tanto para quem dá como para quem recebe.

Alguém já disse,  aquilo que damos com coração é o que é realmente nosso. O sentido dessa frase para mim está no significado que impingimos ao que damos, não interessa o que seja, pode ser uma palavra, um abraço.

Para inspirar meu coração na busca do que quero trocar neste natal, quero mergulhar dentro de mim e procurar nas minhas lembranças algo que considero valioso… (talvez aquela receita de biscoitos da vovó? talvez um caderno para anotar os sonhos? talvez músicas especiais?…) E com todo meu carinho dedicar a minha troca como símbolo do meu carinho pela família e pelos amigos queridos que dela também fazem parte.

Paz hoje e amanhã…

Enquanto o mundo tenta achar soluções para suas crises, o ponto de virada para nos relacionarmos de maneira mais saudável passa necessariamente pela consciência de cada um de nós.

Alguém já disse, “não importa quem somos, mas como nos relacionamos com o mundo”…  como faz sentido!

Não importa o caminho por onde andamos, mas a maneira como deixamos as pegadas de nosso caminhar.

Já tentou prestar atenção literalmente no peso do seu passo. O corpo reflete os sentimentos e as emoções e, através da atenção no físico, é possível descondicionar as tensões e amenizar conflitos do dia-a-dia.

Invisibilidade

Humanizar as relações para combater as violências sociais, pense nisso.

O curta “Eu Existo“, produzido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, denuncia a invisibilidade e violência em relação aos moradores de rua no centro de São Paulo.

Para ajudar a ampliar o olhar, vale a pena ler a a experiência descrita na reportagem de Jhony Arai para Vida Simples (04/2012) – “O que aprendi ao morar na rua“.

SER humano no trajeto

Cidade ou hospício?o artigo publicado pela revista Carta Capital em maio deste ano retrata a realidade do deslocamento em São Paulo, a violência, o ruído e a poluição a que o paulistano é exposto ao enfrentar de duas a quatro horas de trânsito por dia.

Assustador. São 11 milhões de habitantes em uma cidade gigantesca, com péssima distribuição da população e de trabalho, mais de 7 milhões de veículos, rádios dedicadas exclusivamente ao trânsito, transporte público insuficiente para a necessidade de circulação da população. Ou seja, a os instrumentos de política urbana são incapazes de garantir qualidade de vida para o cidadão.

Os efeitos dessa loucura se confundem com as causas, efeitos reativos, ausência de saúde em sentido amplo, aumento da violência e de todo o tipo de poluição. Quem está no trajeto pode perceber o poder da onda de raiva que atormenta o cidadão e contagia.

Somos zumbis? Houve um tempo em que andar num ônibus da CMTC e olhar a cidade por cima dos carros sentindo o vento no rosto era gostoso… não é mais.

É preciso querer sair da onda de raiva, querer nadar contra essa maré de insanidade e inventar você mesmo um sentido diferente, um método próprio capaz de distinguir e conter o ciclo dos efeitos reativos.

Somos humanos que com tamanha violência não nos reconhecemos mais.

Mafalda (Quino)

E para nos reconhecermos, nasceu a idéia…

O exercício de deslocamento – SER humano no trajeto – foi idealizado para encorajar e manter dentro de si mesmo o aspecto humano durante o trajeto, enxergando na multidão cada pessoa como se fosse a si mesmo.

Como atividade de atenção, auxilia a manter o foco no presente, sem desviar a atenção incessantemente para o passado e o futuro, quando estamos a caminho de algum lugar. Assim fica mais fácil enxergar as pessoas no caminho e interagir com elas, ao invés de vermos o outro apenas como barreira.

Quantas vezes, no caminho de casa ou do trabalho, estamos pensando em como seria… ou como será… (o famoso, “e se”). Essa ansiedade, no geral, não ajuda muito… pois quase sempre ela invade todo o “espaço” disponível e engole as possibilidades da pausa.

A atividade visa reforçar o caráter humano em condições adversas e para isso exercita o foco no presente, preservando os momentos de pausa.

Atenção e gentileza podem ser usadas tanto para quem se desloca de carro, quanto para quem vai à pé. Funciona assim:

Ser ou não ser o trânsito?!

“Você não está no trânsito. Você é o trânsito”. A frase inspirou o vídeo brasileiro premiado no concurso mundial da Siemens sobre sustentabilidade.

O que nos faz acreditar que o trânsito são os outros? Confira o vídeo pode nos inspirar a transformar de maneira positiva o nosso dia a dia.