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Desapego – caminhos e indagações…

tumblr_m6wwo4U7sk1rs81xfo1_500Quando o tema é desapego, me passa pela mente que para seguir adiante é preciso saber romper de alguma forma com o passado e encarar o que se apresenta.

É a indagação do “Profeta”, de Khalil Gibran, que em busca do conhecimento, ao ver o navio que por muito procurara aproximar-se, realizou que o dia do encontro é o mesmo que o da separação, que para viver o futuro não se pode estar preso ao passado… mas nossas vivências e verdades passageiras podem modificar nosso entorno e a nós mesmos para sempre.

Há um alívio dolorido em deixar ir… pois o novo só entra quando abrimos espaço.

Nesse sentido, considerando que a velocidade com que consumimos informações, ideias, produtos nunca foi tão excessiva, será que todo esse consumo é fruto de reais escolhas, de escolhas conscientes? E que espaço deixamos para o novo entrar? Será que sobrou espaço para troca, para a partilha, para a conexão? E qual valor ou significado damos para essas relações?

Para mim nada foi mais esclarecedor do que vivenciar esses tantos conceitos (desapego, conexão, valor com significado, troca e consumo consciente) em uma feira de trocas – alternativa de consumo organizada em bases de reciprocidade. Há alguns meses, experimentamos organizar e participar de uma feira de trocas e essa experiência simples e pequena pôde render compreensão e conclusões valorosas para as dúvidas de todo o grupo.

Em São Paulo existem feiras de trocas que acontecem regularmente, mas você também pode organizar uma no seu bairro, condomínio ou no trabalho, porque não?

Ainda que pareça ingênua (como quase toda a proposta simples que se apresenta), a feira de trocas pressupõe apenas que, em uma data e local, cada participante leve itens materiais e conhecimentos que possam ser objeto de troca. Assim, em um passeio pelo espaço de exposição em que cada participante expõe seus itens é possível conectar-se para estabelecer trocas.

Por um Tempo Simples

tempo

Fazer um programa nos feriados, fins de semana ou férias é quase religião para todos. Passar horas numa fila para comprar um ingresso de futebol ou cinema, frequentar o restaurante da moda, ficar num tremendo engarrafamento ou correr feito louco para ir a Carapicuíba da Serra ou a Paris são lazeres corriqueiros, que dependem apenas da conta bancária de cada um. E por quê? E para que, se não há descanso e muito menos prazer? Parece uma fuga insensata de si mesmo, uma necessidade enorme de não ouvir seu corpo e muito menos sua alma. Minha tendência é ficar pensando sobre esses assuntos, porque acho importantíssimo procurar caminhos alternativos. E uma das melhores opções é esta: a simplicidade. E o primeiro passo para ser simples é parar e começar a pensar. Dar-se um tempo para achar soluções” (Rosy L. Bornhausen, in As Ervas do Sítio)

A reflexão feita nos anos 80 por Rosy Bornhausen, na introdução de seu mágico livro “As Ervas do Sítio”, é – ao menos para mim – a cada dia mais inquietante.

Pato Fu – Sobre o Tempo

Boas Trocas…

Confesso, tenho preguiça de final de ano!

Toda a dinâmica que gira em torno das festas, trânsito, decoração de natal e luzes por toda a parte, turismo urbano caótico e mais a caça aos presentes… me dá vontade de fugir!  E muitas vezes é exatamente isso que eu faço, mas não adianta muito, não é mesmo?!

E me passa um daqueles pensamentos insistentes pela cabeça… Porque razão temos que passar por esse período do ano de forma tão sistemática? Afinal, qual é e aonde está o significado das “festas de fim de ano”?

Bom, esta é uma pergunta bastante pessoal, pois cada um pode dar às festas o significado que preferir… mas, particularmente, gostaria de imprimir a este momento de reunião um valor mais simples de confraternização familiar, “celebração do encontro”.

Alterando e resignificando os “rituais”, a troca de presentes poderia ser literalmente uma “troca” e não apenas de coisas que compramos para esta ocasião, mas de algo mais significativo… é tão bom quando podemos presentear alguém com significado, mesmo quando o “presente” seja uma experiência, um conhecimento, ou mesmo uma lembrança que tenha valor tanto para quem dá como para quem recebe.

Alguém já disse,  aquilo que damos com coração é o que é realmente nosso. O sentido dessa frase para mim está no significado que impingimos ao que damos, não interessa o que seja, pode ser uma palavra, um abraço.

Para inspirar meu coração na busca do que quero trocar neste natal, quero mergulhar dentro de mim e procurar nas minhas lembranças algo que considero valioso… (talvez aquela receita de biscoitos da vovó? talvez um caderno para anotar os sonhos? talvez músicas especiais?…) E com todo meu carinho dedicar a minha troca como símbolo do meu carinho pela família e pelos amigos queridos que dela também fazem parte.

Silêncio interno

Como se altera um hábito? Como se insere uma nova rotina em nosso cotidiano?

Aos poucos e com calma, seria minha resposta hoje em dia.

As vezes, o dia a dia que achamos ideal está longe de ser o que estamos praticando em nossas rotinas.

A adequação de rotina para promover desde coisas simples, como, por exemplo, ter mais tempo para acordar e tomar café da manhã com calma em casa, escutando uma boa música, até ideais mais elaborados, só depende de nos reorganizarmos, mas o importante é começar esse rearranjo pelo nosso espaço interno.

via: wit & delight – a visual journal

Mas como assim?

Bem, para que se trazer a rotina um padrão diferente do que estamos acostumados é preciso lidar com adequações c ajustes decorrentes da mudança e se não estivermos internamente organizados para essas adequações a alteração se desfaz e o velho padrão retoma seu lugar.

Não estamos acostumados com a calma, com a paciência de um processo que só ocorre no decorrer do tempo… ensinar ao corpo e a mente novos padrões leva tempo, assim como levou tempo para aprendermos a ler, para aprendermos a falar, entre muitos outros processos de aprendizagem normalmente ocorridos na infância.

Na agitação e correria, a aprendizagem requer calma, silêncio interno, para que o processo seja efetivo.

Observar os processos e tempos na natureza pode ser exercício inspirador para reaprendermos a seguir o nosso fluxo e silenciar nosso interior. Na natureza tudo o que ocorre segue um contexto sincrônico entre vários elementos presentes e a alteração de um requer readaptação de outro (a velha lei da causa e consequência). Esse equilíbrio sincrônico está sempre presente, inclusive nos momentos de transformação.

A mudança começa em sua preparação, no momento em que se vislumbra e se prepara algo… o resto é consequência.

Reflexões contemporâneas – trabalho

“O tempo, sabemos, é inexorável. No entanto, o ritmo do trabalho é socialmente construído. Certos executivos o modelam ao gosto de sua paranóia, convulsivo e frenético, em esforço patológico para manter as hordas sob seu controle.” (in “O caos nosso de cada dia”, Thomas Wood Jr., Revista Carta Capital, de 12 de setembro de 2012)

O recorte acima retrata um cenário de ambiente de trabalho que nos faz refletir sobre o que é produtividade nos tempos de hoje. De que forma estamos a trabalhar atualmente? Travamos em competitividade exacerbada, enquanto ininteligências nos procedimentos são justificáveis na obtenção de resultados pequenos e mesquinhos.

Cumprir metas e objetivos já não são os únicos fatores decisivos na “jornada de trabalho produtiva”, é mais do que sabido que, a medida em que o “espaço” necessário ao procedimento (forma de realizar) é desrespeitado ou ignorado, surge a impossibilidade de obter-se resultados desejáveis, ainda que existam os recursos necessários para tanto.

Mas, então, por que razão não estamos atentos ao procedimento, ao como realizar? Não enxergamos desta forma, estamos míopes na visão do que é procedimento e na co-relação do bem-estar humano com a realização de seus objetivos.

Há dificuldade em avaliar o intangível inserido no dia-a-dia do trabalho (ou seja, a influência da forma de se trabalhar no objetivo de trabalho), mas de fato ele está lá e sem a sua preservação, não existe resultado.

Não se pode apartar o aspecto humano em suas sutis nuances do desenvolvimento do trabalho. Ou seriamos nós robôs?

Mudar o olhar para que seja possível enxergar que o processo é composto por pessoas, que têm necessidades variantes e inteligência criativa, é a chave para um novo modelo, uma outra forma de trabalhar, cooperativa, cuidadosa e muito mais proveitosa para todos. A isso poderíamos chamar produtividade.

A cidade seca?

Águas esquecidas, rios mortos, será que teríamos períodos de seca como o dos últimos meses em São Paulo, se as centenas de rios que percorrem a cidade tivessem sua natureza preservada e respeitada?

O incrível trabalho da ONG Rios e Ruas promove reconhecimento do curso dos rios canalizados em SP, proporcionando o contato e a sensibilização para as reais causas de problemas como as enchentes e poluição dos rios na cidade de São Paulo.

E para conhecer melhor a história das águas de São Paulo, vale conferir o documentário “Entre Rios”, 2009 – Caio Ferraz.

Paz hoje e amanhã…

Enquanto o mundo tenta achar soluções para suas crises, o ponto de virada para nos relacionarmos de maneira mais saudável passa necessariamente pela consciência de cada um de nós.

Alguém já disse, “não importa quem somos, mas como nos relacionamos com o mundo”…  como faz sentido!

Não importa o caminho por onde andamos, mas a maneira como deixamos as pegadas de nosso caminhar.

Já tentou prestar atenção literalmente no peso do seu passo. O corpo reflete os sentimentos e as emoções e, através da atenção no físico, é possível descondicionar as tensões e amenizar conflitos do dia-a-dia.