Reflexões contemporâneas – trabalho

“O tempo, sabemos, é inexorável. No entanto, o ritmo do trabalho é socialmente construído. Certos executivos o modelam ao gosto de sua paranóia, convulsivo e frenético, em esforço patológico para manter as hordas sob seu controle.” (in “O caos nosso de cada dia”, Thomas Wood Jr., Revista Carta Capital, de 12 de setembro de 2012)

O recorte acima retrata um cenário de ambiente de trabalho que nos faz refletir sobre o que é produtividade nos tempos de hoje. De que forma estamos a trabalhar atualmente? Travamos em competitividade exacerbada, enquanto ininteligências nos procedimentos são justificáveis na obtenção de resultados pequenos e mesquinhos.

Cumprir metas e objetivos já não são os únicos fatores decisivos na “jornada de trabalho produtiva”, é mais do que sabido que, a medida em que o “espaço” necessário ao procedimento (forma de realizar) é desrespeitado ou ignorado, surge a impossibilidade de obter-se resultados desejáveis, ainda que existam os recursos necessários para tanto.

Mas, então, por que razão não estamos atentos ao procedimento, ao como realizar? Não enxergamos desta forma, estamos míopes na visão do que é procedimento e na co-relação do bem-estar humano com a realização de seus objetivos.

Há dificuldade em avaliar o intangível inserido no dia-a-dia do trabalho (ou seja, a influência da forma de se trabalhar no objetivo de trabalho), mas de fato ele está lá e sem a sua preservação, não existe resultado.

Não se pode apartar o aspecto humano em suas sutis nuances do desenvolvimento do trabalho. Ou seriamos nós robôs?

Mudar o olhar para que seja possível enxergar que o processo é composto por pessoas, que têm necessidades variantes e inteligência criativa, é a chave para um novo modelo, uma outra forma de trabalhar, cooperativa, cuidadosa e muito mais proveitosa para todos. A isso poderíamos chamar produtividade.

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