Cultivo 05.13

exposição

Cai Guo–Qiang – Da Vincis do Povo (Peasant da Vincis)

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Internacionalmente reconhecido, o artista Cai Guo–Qiang apresenta sua primeira exposição individual no Brasil. Ganhador do Leão de Ouro pela Bienal de Veneza, em 1999, e do aclamado Praemium Imperiale, em 2012, o artista traz a São Paulo engenhocas e invenções desenvolvidas em colaboração com inventores chineses amadores. A seleção de trabalhos presentes na exposição inclui uma série inédita dos desenhos feitos com pólvora, criados no CCBB Brasília especialmente para a exposição brasileira.

 

 

até 23 de junho de 2013
de terça a domingo das 9h as 21h
CCBB SP – rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo
e prédio Histórico dos Correios – no Vale do Anhangabaú
entrada franca

 

“Azar do Brasil”, Ruy Castro

O retrato da desconexão com o interesse público na coluna de hoje (19/04) de Ruy Castro na Folha de São Paulo, abaixo transcrita.

“A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse ao jornal gaúcho “Zero Hora” que “acha lindo engarrafamento”, pois “seu negócio é vender combustível”. E informou, orgulhosa: “Estou faturando”. Pelo visto, parece satisfeita com os engarrafamentos que vê a bordo de seu helicóptero ou de que toma conhecimento pelo rádio e pela TV.Como o verbo é livre a ponto de comportar tais afirmações, atrevo-me a dizer que preferiria uma pessoa mais delicada à frente da Petrobras. Por mais que tenha vindo ao mundo para vender gasolina, seu cargo não a autoriza a se comportar como uma frentista de estrada. A Petrobras deve ter compromissos com o povo que a sustenta, e não apenas com o conteúdo dos buracos que perfura.É verdade que a culpa dos engarrafamentos não é exatamente sua, mas do governo a que pertence –o qual vive baixando alíquotas e estimulando a produção e venda de carros para fechar suas contas, com o que asfixia e torna inabitáveis nossas cidades. Isso a despeito da tendência internacional a devolver as cidades aos cidadãos, tirando carros da rua e estimulando o transporte público, as bicicletas e a simples caminhada.

Sei também que o pensamento de Graça Foster deve repetir o de todos que a antecederam na presidência da Petrobras, e que a esta cabe somente cuidar de seus negócios, não “pensar o país”. Talvez devêssemos até agradecer-lhe por ser tão franca: ao contrário de seus antecessores, mais dissimulados, ela torce explicitamente pelo carro, pelo engarrafamento, pelo mau humor no trânsito, pela poluição, e contra o cidadão que lhe paga o salário e compra a sua gasolina.

A tal desprezo pelo equilíbrio urbano e pela qualidade de vida dos brasileiros das cidades, deve corresponder um equivalente pelos contínuos estragos ambientais provocados por sua empresa. Azar do Brasil.”

Desapego – caminhos e indagações…

tumblr_m6wwo4U7sk1rs81xfo1_500Quando o tema é desapego, me passa pela mente que para seguir adiante é preciso saber romper de alguma forma com o passado e encarar o que se apresenta.

É a indagação do “Profeta”, de Khalil Gibran, que em busca do conhecimento, ao ver o navio que por muito procurara aproximar-se, realizou que o dia do encontro é o mesmo que o da separação, que para viver o futuro não se pode estar preso ao passado… mas nossas vivências e verdades passageiras podem modificar nosso entorno e a nós mesmos para sempre.

Há um alívio dolorido em deixar ir… pois o novo só entra quando abrimos espaço.

Nesse sentido, considerando que a velocidade com que consumimos informações, ideias, produtos nunca foi tão excessiva, será que todo esse consumo é fruto de reais escolhas, de escolhas conscientes? E que espaço deixamos para o novo entrar? Será que sobrou espaço para troca, para a partilha, para a conexão? E qual valor ou significado damos para essas relações?

Para mim nada foi mais esclarecedor do que vivenciar esses tantos conceitos (desapego, conexão, valor com significado, troca e consumo consciente) em uma feira de trocas – alternativa de consumo organizada em bases de reciprocidade. Há alguns meses, experimentamos organizar e participar de uma feira de trocas e essa experiência simples e pequena pôde render compreensão e conclusões valorosas para as dúvidas de todo o grupo.

Em São Paulo existem feiras de trocas que acontecem regularmente, mas você também pode organizar uma no seu bairro, condomínio ou no trabalho, porque não?

Ainda que pareça ingênua (como quase toda a proposta simples que se apresenta), a feira de trocas pressupõe apenas que, em uma data e local, cada participante leve itens materiais e conhecimentos que possam ser objeto de troca. Assim, em um passeio pelo espaço de exposição em que cada participante expõe seus itens é possível conectar-se para estabelecer trocas.

Cultivo 03.13

exposição

Ai Weiwei _ I N T E R L A C I N G

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Ai Weiwei é artista chinês considerado como um dos mais influentes na arte contemporânea atual, com suas obras apresentando um forte caráter multifacetado marcado pelo ativismo social e pela criação de redes que entrelaçam arte e vida.

A exposição Interlacing, em cartaz no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, MIS, de 07 de fevereiro a 14 de abril, com curadoria de Urs Stahel, é composta de centenas de fotos, vídeos e textos do artista, reunindo parte da produção realizada entre 1983 e 2011.



Concebida pelo Fotomuseum Whinterthur, Suíça, e exibida também no Jeu de Paume, Paris, a exposição é apresentada pela primeira vez fora da Europa em um momento em que o artista, dissidente político e crítico ferrenho da ausência de liberdade de expressão individual na China, encontra-se cerceado em prisão domiciliar.

Exposição

Museu da Imagem e do Som de São Paulo – MIS  | Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo  |  telefone: (11) 2117 4777

de 07 de fevereiro a 14 de abril de 2013 | terças a sextas, das 12 às 21h | sábados, domingos e feriados, das 11 às 20h

terças-feiras: entrada gratuita | demais dias: R$ 6 | R$ 3 (meia)

Lançamento do Catálogo | 23.03 | 17h


Evento de lançamento do catálogo da exposição com mesa-redonta sobre a carreira de Ai Weiwei, composta pelos críticos e curadores Agnaldo Farias, Eder Chiodetto e Cauê Alves, além da pesquisadora Kristina Bodrožić-Brnić. Os especialistas irão discutir os diversos aspectos da vida e da produção artística de Ai Weiwei, além de sua inserção no âmbito da produção contemporânea e do mercado de arte.

Viva a Casa de Francisca!

Neste fim de semana que passou, tivemos o privilégio de conferir ao vivo o El Grande Con(s)erto 2 da Casa de Francisca, que aconteceu no Teatro Oficina. Esta foi a segunda edição da linda e autêntica “festa da música”, que surgiu no intuito de arrecadar fundos para a manutenção do pequeno café-teatro, a menor e maior casa de shows de São Paulo… (a Casa de Francisca tem capacidade de menos de 50 lugares e é palco dos encontros musicais de maior qualidade, diversidade e criatividade que ocorrem em São Paulo).

O El Grande Conserto deste fim de semana, manteve o ambiente aconchegante e o primor de qualidade que cerca a Casa de Francisca em essência, seja qual for o momento ou circunstância.

PARABÉNS!  E VIVA A CASA DE FRANCISCA!

El Grande Conserto 2

“(…) O QUE SERÁ DE UMA CIDADE QUE DESTRÓI TODAS AS SUAS RESERVAS DE DELICADEZA, DE GRAÇA, DE MODÉSTIA? CAMINHE UM POUCO PELAS RUAS DE SEU BAIRRO EM BUSCA DOS CANTINHOS QUE AINDA NÃO FORAM DEVASTADOS POR ALGUMA OBRA GRANDIOSA E BREGA. O QUE SERÁ DE UMA CIDADE SEM VARANDAS? SEM JANELAS DANDO PARA A RUA – E O GATO ESPIANDO PELO VIDRO DE UMA DELAS? O QUE SERÁ DE NOSSO CONVÍVIO DIÁRIO NUMA CIDADE SEM O PEQUENO COMÉRCIO DE RUA, RESPONSÁVEL PELO TERRITÓRIO COLETIVO ONDE AS PESSOAS AOS POUCOS SE CONHECEM , SE CUMPRIMENTAM, CONVERSAM? UMA CIDADE SEM ZONA DE FAMILIARIDADE? O QUE SERÁ DE UMA CIDADE SEM AS VILAS COM CASAS ANTIGAS ONDE O PEDESTRE ENTRA SEM PASSAR POR UMA GUARITA E ENCONTRA UM MICRO-OÁSIS DE SOMBRA E SILÊNCIO? SEM A MINÚSCULA PRACINHAQUE SOBROU NUMA ESQUINA EM QUE SE ESQUECERAM DE CONSTRUIR OUTRA COISA? PROCURE OS ESPAÇOS EM QUE AINDA SEJA POSSÍVEL O ENCONTRO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, O ÍNTIMO E O ESTRANHO, O DESAFIANTE E O ACOLHEDOR. O QUE SERÁ DE UMA CIDADE QUE É PURA ARROGÂNCIA, EXIBICIONISMO E EFICIÊNCIA? O QUE SERÁ DE NÓS, MORADORES DE UMA CIDADE QUE DESPREZA A VIDA URBANA?” (MARIA RITA KEHL)

trecho extraído do programa do show