Categoria: viver em comum

refletir o entorno.

Não há jogar fora…

Do ponto de vista do planeta, não há jogar fora!

Repensar a forma que vivemos e consumimos – não apenas em relação a quantidade, mas também em relação aos aspectos qualitativos – começa com cada um de nós individualmente conectados e conscientes.

Para reflexões sobre o tema consumo crítico e solidário, a sugestão é consultar o trabalho da professora universitária, pós-doutoranda do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Luciane Lucas dos Santos – monoculturadoconsumo.blogspot.pt

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“Azar do Brasil”, Ruy Castro

O retrato da desconexão com o interesse público na coluna de hoje (19/04) de Ruy Castro na Folha de São Paulo, abaixo transcrita.

“A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse ao jornal gaúcho “Zero Hora” que “acha lindo engarrafamento”, pois “seu negócio é vender combustível”. E informou, orgulhosa: “Estou faturando”. Pelo visto, parece satisfeita com os engarrafamentos que vê a bordo de seu helicóptero ou de que toma conhecimento pelo rádio e pela TV.Como o verbo é livre a ponto de comportar tais afirmações, atrevo-me a dizer que preferiria uma pessoa mais delicada à frente da Petrobras. Por mais que tenha vindo ao mundo para vender gasolina, seu cargo não a autoriza a se comportar como uma frentista de estrada. A Petrobras deve ter compromissos com o povo que a sustenta, e não apenas com o conteúdo dos buracos que perfura.É verdade que a culpa dos engarrafamentos não é exatamente sua, mas do governo a que pertence –o qual vive baixando alíquotas e estimulando a produção e venda de carros para fechar suas contas, com o que asfixia e torna inabitáveis nossas cidades. Isso a despeito da tendência internacional a devolver as cidades aos cidadãos, tirando carros da rua e estimulando o transporte público, as bicicletas e a simples caminhada.

Sei também que o pensamento de Graça Foster deve repetir o de todos que a antecederam na presidência da Petrobras, e que a esta cabe somente cuidar de seus negócios, não “pensar o país”. Talvez devêssemos até agradecer-lhe por ser tão franca: ao contrário de seus antecessores, mais dissimulados, ela torce explicitamente pelo carro, pelo engarrafamento, pelo mau humor no trânsito, pela poluição, e contra o cidadão que lhe paga o salário e compra a sua gasolina.

A tal desprezo pelo equilíbrio urbano e pela qualidade de vida dos brasileiros das cidades, deve corresponder um equivalente pelos contínuos estragos ambientais provocados por sua empresa. Azar do Brasil.”

Desapego – caminhos e indagações…

tumblr_m6wwo4U7sk1rs81xfo1_500Quando o tema é desapego, me passa pela mente que para seguir adiante é preciso saber romper de alguma forma com o passado e encarar o que se apresenta.

É a indagação do “Profeta”, de Khalil Gibran, que em busca do conhecimento, ao ver o navio que por muito procurara aproximar-se, realizou que o dia do encontro é o mesmo que o da separação, que para viver o futuro não se pode estar preso ao passado… mas nossas vivências e verdades passageiras podem modificar nosso entorno e a nós mesmos para sempre.

Há um alívio dolorido em deixar ir… pois o novo só entra quando abrimos espaço.

Nesse sentido, considerando que a velocidade com que consumimos informações, ideias, produtos nunca foi tão excessiva, será que todo esse consumo é fruto de reais escolhas, de escolhas conscientes? E que espaço deixamos para o novo entrar? Será que sobrou espaço para troca, para a partilha, para a conexão? E qual valor ou significado damos para essas relações?

Para mim nada foi mais esclarecedor do que vivenciar esses tantos conceitos (desapego, conexão, valor com significado, troca e consumo consciente) em uma feira de trocas – alternativa de consumo organizada em bases de reciprocidade. Há alguns meses, experimentamos organizar e participar de uma feira de trocas e essa experiência simples e pequena pôde render compreensão e conclusões valorosas para as dúvidas de todo o grupo.

Em São Paulo existem feiras de trocas que acontecem regularmente, mas você também pode organizar uma no seu bairro, condomínio ou no trabalho, porque não?

Ainda que pareça ingênua (como quase toda a proposta simples que se apresenta), a feira de trocas pressupõe apenas que, em uma data e local, cada participante leve itens materiais e conhecimentos que possam ser objeto de troca. Assim, em um passeio pelo espaço de exposição em que cada participante expõe seus itens é possível conectar-se para estabelecer trocas.

Viva a Casa de Francisca!

Neste fim de semana que passou, tivemos o privilégio de conferir ao vivo o El Grande Con(s)erto 2 da Casa de Francisca, que aconteceu no Teatro Oficina. Esta foi a segunda edição da linda e autêntica “festa da música”, que surgiu no intuito de arrecadar fundos para a manutenção do pequeno café-teatro, a menor e maior casa de shows de São Paulo… (a Casa de Francisca tem capacidade de menos de 50 lugares e é palco dos encontros musicais de maior qualidade, diversidade e criatividade que ocorrem em São Paulo).

O El Grande Conserto deste fim de semana, manteve o ambiente aconchegante e o primor de qualidade que cerca a Casa de Francisca em essência, seja qual for o momento ou circunstância.

PARABÉNS!  E VIVA A CASA DE FRANCISCA!

El Grande Conserto 2

“(…) O QUE SERÁ DE UMA CIDADE QUE DESTRÓI TODAS AS SUAS RESERVAS DE DELICADEZA, DE GRAÇA, DE MODÉSTIA? CAMINHE UM POUCO PELAS RUAS DE SEU BAIRRO EM BUSCA DOS CANTINHOS QUE AINDA NÃO FORAM DEVASTADOS POR ALGUMA OBRA GRANDIOSA E BREGA. O QUE SERÁ DE UMA CIDADE SEM VARANDAS? SEM JANELAS DANDO PARA A RUA – E O GATO ESPIANDO PELO VIDRO DE UMA DELAS? O QUE SERÁ DE NOSSO CONVÍVIO DIÁRIO NUMA CIDADE SEM O PEQUENO COMÉRCIO DE RUA, RESPONSÁVEL PELO TERRITÓRIO COLETIVO ONDE AS PESSOAS AOS POUCOS SE CONHECEM , SE CUMPRIMENTAM, CONVERSAM? UMA CIDADE SEM ZONA DE FAMILIARIDADE? O QUE SERÁ DE UMA CIDADE SEM AS VILAS COM CASAS ANTIGAS ONDE O PEDESTRE ENTRA SEM PASSAR POR UMA GUARITA E ENCONTRA UM MICRO-OÁSIS DE SOMBRA E SILÊNCIO? SEM A MINÚSCULA PRACINHAQUE SOBROU NUMA ESQUINA EM QUE SE ESQUECERAM DE CONSTRUIR OUTRA COISA? PROCURE OS ESPAÇOS EM QUE AINDA SEJA POSSÍVEL O ENCONTRO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, O ÍNTIMO E O ESTRANHO, O DESAFIANTE E O ACOLHEDOR. O QUE SERÁ DE UMA CIDADE QUE É PURA ARROGÂNCIA, EXIBICIONISMO E EFICIÊNCIA? O QUE SERÁ DE NÓS, MORADORES DE UMA CIDADE QUE DESPREZA A VIDA URBANA?” (MARIA RITA KEHL)

trecho extraído do programa do show

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